Lar@Línguas
Sempre ouvi falar muito na Maratona de Boston que é uma festa na cidade. No ano passado a Maratona foi num dia chuvoso e frio e acabou que não fui ver mas este ano a previsão indicada um belo dia ensolado e assim reservei um tempinho na agenda para prestigiar o falado evento.
Fácil, ele vinha acompanhado de helicópteros e antecedido pelos batedores e equipes de fotógrafos. Os pioneiros dos pelotões de elite passaram correndo como o Papa Léguas e mal deu para aplaudir pois queria tirar fotos mas, passados os pioneiros voltei a brincadeira de aplaudir, gritar incentivos e admirar os corredores. A força de vontade e disposição física (além do próprio físico) dos participantes é algo fantástico e faz alguém que nem gosta de correr como eu querer fazer aquela de correr ao menos uma vez na vida uma maratona.
Passado os pelotões de elite resolvi andar pela minha vizinhança seguindo o percurso da maratona. Foi legal ver que passada a grande competitividade começa a surgir os grupos de corredores sejam amigos, casais, famílias, pessoas fantasiadas, com frases engraçadas ou estilosas na camisa, gente que pedia aplausos, gente que saia cumprimentos os espectadores, gente com nome escrito que vira volta alguém (até mesmo eu) gritava "Go Fulano, go!", grupo de amigos e familiares correndo com um cadeirante (não profissional), enfim muitas pessoas normais que precisaram de muita preparação, disposição e garra para correr uma maratona. Se a festa por parte dos corredores era grande maior ainda era dos espectadores. Quando andando pela minha vizinhança comecei a ver grupo de amigos fazendo festinhas, isopor com bebidas (se alcoólicas camufladas pois não é permitido beber na rua aqui), comidas (até mesmo churrasco), som, cartazes, cones para gritar para os participantes (eu até mesmo ganhei um), pessoas com camisas "uniformizadas" para assistir a maratona... enfim, uma festa!
Eu estava tão encantada com a energia do evento que ao invés de ficar só uma horinha como planejado acabei ficando umas três, com direito a gritar muito, esgotar a capacidade de fotos, quase descarregar o celular e comprar comida para almoçar sentada no meio da rua.
Susto, medo e estomago embrulhado tudo junto e misturado...
Não estava perto do atentado mas não dá para ficar muito tranquilo em saber que alguém (que ainda não foi identificado, responsabilizado ou preso) detonou bombas na cidade que você mora...
Ficava feliz em saber notícias dos meus amigos daqui, saber que eles assim como eu, felizmente, não estavam envolvidos diretamente... E assim passei o resto do dia, contactando e sendo contactada... vendo notícias e tentando processar tudo isso. Não estive lá mas me assusto com o relato de quem viu mais de perto, do cenário de guerra estampado nas fotos da rua que você passou no dia anterior, do amigo que disse ter saídos do exato local da explosão minutos antes, do outro que correu sem saber para onde era seguro ir, da amiga de trabalho que teve o prédio evacuado e acabou dormindo na universidade...
Ainda disso saber que umas das vítimas fatais era uma aluna estrangeira estudante de pós da sua universidade assim como você deixa ainda mais a sensação que podia ter sido qualquer um de nós, eu mesma poderia ter ido ao centro se não fosse agenda tão cheia...
A cidade ficou com um clima estranho por alguns dias, as pessoas estavam assustadas, a polícia estava mais presente nas ruas mas, as ruas estavam notoriamente mais vazias...
Eu não acho que entrei em panico mas a sensação estranha no ar da cidade me lembrou até de quando o morro do Alemão foi tomado pela polícia e eu vi o Rio estranho em clima de guerra... mas, não quero comparar o sujo com o mal lavado. No final teve o estranho "lockdown" (todo mundo em casa sem sair na rua) para perseguir e prender o suspeito. Apesar de eu admirar a ideia do "é melhor prevenir do que remediar" que os americanos tem - por exemplo, evacuando áreas, emitindo alertas quando uma tempestade se aproxima - o exagero e exploração da mídia (sem sequer considerar as possíveis teorias da conspiração) fez com que eu deixasse de querer acompanhar de perto as notícias por ver como a mídia pode manipular (e exacerbar) nossos medos, expectativas e pensamentos (se permitirmos).
Lar@Primavera
| Boston |
"Si ce n'est pas le vent du changement
Qui vient souffler de l'air à mes ailes
Ce n'est pas un courant d'air que j'attends
Pour m'envoler jusqu'au ciel
Je recherche vainement l'attraction
Terrestre ou s'il le faut lunaire
Qui me fera prendre position
Pour l'être extra, l'ordinaire...
Si l'amour n'est pas dans l'air
Je préfère rester sur terre
Mais si l'amour n'est pas sur terre
Je préfère reprendre l'air."
[Atraction - Paris Combo]
[Minha tradução livre deste trecho da música]
"Se não é o vento da mudança
Que está soprando ar em minhas asas
Este não é a corrente de ar que eu espero
Para me enviar até o céu
Eu procuro em vão a atração
Terrestre ou se necessário lunar
Que me fará tomar a posição
Para ser extra, o ordinário...
Se o amor não está no ar
Eu prefiro ficar em terra
Mas se o amor não está na terra
Eu prefiro retornar ao ar."
Umas das coisas mais curiosas que me aconteceu depois de passar um ano sem pisar no Brasil foi o fato que todos falavam português ao meu redor. Falando assim fica parecendo piada mas acontece que eu acho que, de certa maneira, por mais que já esteja mais habituada com o inglês minha mente facilmente ignora as conversas alheias. Daí nos primeiros dias eu me via toda hora me chamando atenção as conversas dos passantes acho que de tanto não ouvir corriqueiramente português nas ruas minha mente associou ouvir português à alguém falando comigo. Mas, no Brasil todos falam português e só alguns comigo então já viu a distração dos primeiros dias. =P Depois me acostumei novamente e parei de achar graça ao ver todo mundo o meu redor falando português. =)
Outra história linguística me aconteceu num congresso que fui de computação. Muitos do congresso, eu arriscaria dizer um terço, eram falantes de espanhol e eu abusada do jeito que sou para querer aprender falei logo no inicio para um grupo de colegas: "podem falar que eu entendo o que tenho dificuldade é falar mas entender entendo bem". E ainda para coisas simples eu me arrisco falar um pouco (sí, no, gracias). Nesta brincadeira acabou que numa dada conversa tinha gente que só veio descobrir que eu não era falante de espanhol no meio de um tópico que precisei de mais argumentos e onde meu espanhol me faltava palavras. Nesta conversa tinha um espanhol não confortável para falar inglês e depois de eu argumentar que ele falava razoável, que só praticando que ele iria falar, que demora um tempo mesmo para pensar em outra língua ele me diz: "então também não há motivos para que você não tente falar o máximo de espanhol com a gente também". Usando os meus próprios argumentos "contra mim" decidi que vou tentar falar espanhol quando tiver oportunidade ou pessoas que me deixem a vontade para tentar e errar. Neste mesmo congresso vi que esqueci muito o meu francês e que tentar falar duas línguas que não é muito acostumada num mesmo dia (francês e inglês) cansa.
Línguas me encantam e sigo "aperreando" meus amigos para me ensinarem pequenas coisas. No Squash mesmo eu tento fazer a contagem na língua do meu adversário já-já vou saber contar até 11 em diversas línguas. Estão na lista que sei ou estou aprendendo a contar (até onze ao menos): inglês, espanhol, italiano, grego, russo, chinês, alemão, francês e turco.
Lar@Maratona.de.Boston
| Maratona de Boston |
A segunda estava ensolarada, clima agradável e bem convidativa a pratica esportiva... como a Maratona passa pertinho de casa (uns 10 minutos andando) olhei a programação e saí em tempo de ver os pelotões de elite passando (foto1, foto2). Para muitos, assim como eu, era feriado (dia do Patriota) o que deixava o evento ainda mais em clima de festa, pessoas de todas as idades estava lá para ver o evento: famílias juntas, grupo de amigos fazendo brincadeiras entre si e com os passantes. Quando cheguei estava passando o grupo do cadeirantes e as pessoas aplaudiam, gritavam incentivos para cada um que passava. Isso era bonito de se ver: a alegria dos espectadores e a luta e força de vontade dos participantes afinal ninguém corre uma maratona por acaso e a realização é algo bonito de se ver estampado na cara de alguém. Não demorou muito para que eu também entrasse no clima e me dividia entre tirar fotos, bater palmas e gritar incentivos aos participantes. Além dos cadeirantes vi ainda alguns participantes do exército até começar a passar os pelotões de elite... como identificar o pelotão de elite?
Fácil, ele vinha acompanhado de helicópteros e antecedido pelos batedores e equipes de fotógrafos. Os pioneiros dos pelotões de elite passaram correndo como o Papa Léguas e mal deu para aplaudir pois queria tirar fotos mas, passados os pioneiros voltei a brincadeira de aplaudir, gritar incentivos e admirar os corredores. A força de vontade e disposição física (além do próprio físico) dos participantes é algo fantástico e faz alguém que nem gosta de correr como eu querer fazer aquela de correr ao menos uma vez na vida uma maratona.
Passado os pelotões de elite resolvi andar pela minha vizinhança seguindo o percurso da maratona. Foi legal ver que passada a grande competitividade começa a surgir os grupos de corredores sejam amigos, casais, famílias, pessoas fantasiadas, com frases engraçadas ou estilosas na camisa, gente que pedia aplausos, gente que saia cumprimentos os espectadores, gente com nome escrito que vira volta alguém (até mesmo eu) gritava "Go Fulano, go!", grupo de amigos e familiares correndo com um cadeirante (não profissional), enfim muitas pessoas normais que precisaram de muita preparação, disposição e garra para correr uma maratona. Se a festa por parte dos corredores era grande maior ainda era dos espectadores. Quando andando pela minha vizinhança comecei a ver grupo de amigos fazendo festinhas, isopor com bebidas (se alcoólicas camufladas pois não é permitido beber na rua aqui), comidas (até mesmo churrasco), som, cartazes, cones para gritar para os participantes (eu até mesmo ganhei um), pessoas com camisas "uniformizadas" para assistir a maratona... enfim, uma festa!
Eu estava tão encantada com a energia do evento que ao invés de ficar só uma horinha como planejado acabei ficando umas três, com direito a gritar muito, esgotar a capacidade de fotos, quase descarregar o celular e comprar comida para almoçar sentada no meio da rua.
Voltei da maratona cheia de animo, postando fotos, feliz da vida e estava quase cochilando quando meu celular começou a receber mensagem de amigos perguntando como eu estava. Daí, eu descobri sobre as explosões e toda a magia da festa foi se transformando em algo estranho...
Susto, medo e estomago embrulhado tudo junto e misturado...
Não estava perto do atentado mas não dá para ficar muito tranquilo em saber que alguém (que ainda não foi identificado, responsabilizado ou preso) detonou bombas na cidade que você mora...
Ficava feliz em saber notícias dos meus amigos daqui, saber que eles assim como eu, felizmente, não estavam envolvidos diretamente... E assim passei o resto do dia, contactando e sendo contactada... vendo notícias e tentando processar tudo isso. Não estive lá mas me assusto com o relato de quem viu mais de perto, do cenário de guerra estampado nas fotos da rua que você passou no dia anterior, do amigo que disse ter saídos do exato local da explosão minutos antes, do outro que correu sem saber para onde era seguro ir, da amiga de trabalho que teve o prédio evacuado e acabou dormindo na universidade...
Ainda disso saber que umas das vítimas fatais era uma aluna estrangeira estudante de pós da sua universidade assim como você deixa ainda mais a sensação que podia ter sido qualquer um de nós, eu mesma poderia ter ido ao centro se não fosse agenda tão cheia...
A cidade ficou com um clima estranho por alguns dias, as pessoas estavam assustadas, a polícia estava mais presente nas ruas mas, as ruas estavam notoriamente mais vazias...
Eu não acho que entrei em panico mas a sensação estranha no ar da cidade me lembrou até de quando o morro do Alemão foi tomado pela polícia e eu vi o Rio estranho em clima de guerra... mas, não quero comparar o sujo com o mal lavado. No final teve o estranho "lockdown" (todo mundo em casa sem sair na rua) para perseguir e prender o suspeito. Apesar de eu admirar a ideia do "é melhor prevenir do que remediar" que os americanos tem - por exemplo, evacuando áreas, emitindo alertas quando uma tempestade se aproxima - o exagero e exploração da mídia (sem sequer considerar as possíveis teorias da conspiração) fez com que eu deixasse de querer acompanhar de perto as notícias por ver como a mídia pode manipular (e exacerbar) nossos medos, expectativas e pensamentos (se permitirmos).
Lar@Primavera
"Camino por el mundo prestando atención en tonos sin saber sus nombres
Tonos de Almodóvar, de Frida Kahlo…
Paseo a oscuras y presto atención en lo que mi hermano oye,
Y como una segunda piel, un callo, una cáscara, una cápsula protectora
Yo quiero llegar antes, para señalar el estado de cada
cosa…(...)
Por la ventana del cuarto, por la ventana del auto,
Por la tele, por la ventana
¿Quién es ella, quién es ella?
Veo todo encuadrado
Remoto contról
Camino por el mundo, y mis amigos, no sé,
Mis alegrías, mi cansancio…
Ven amor, donde estés
Me desperté, no veo nadie al lado."
[Escuadras - Fanny Glass (Esquadros-Adriana Calcanhoto)]
Obs:
Esse é um Boletim em partes. Essa é a Parte II.
Clique para ler a Parte I e Parte III.
Tonos de Almodóvar, de Frida Kahlo…
Paseo a oscuras y presto atención en lo que mi hermano oye,
Y como una segunda piel, un callo, una cáscara, una cápsula protectora
Yo quiero llegar antes, para señalar el estado de cada
cosa…(...)
Por la ventana del cuarto, por la ventana del auto,
Por la tele, por la ventana
¿Quién es ella, quién es ella?
Veo todo encuadrado
Remoto contról
Camino por el mundo, y mis amigos, no sé,
Mis alegrías, mi cansancio…
Ven amor, donde estés
Me desperté, no veo nadie al lado."
[Escuadras - Fanny Glass (Esquadros-Adriana Calcanhoto)]
Uma vez eu vi um amigo dizer (ou talvez tenha lido no seu facebook) que a melhor parte do inverno é a primavera que vem logo em seguida. Eu meio que concordo e acho que só quem passa um inverno num lugar frio e com a vegetação que parece morta sabe quão grande é alegria dos dias mais quentes e de ver a natureza renascer. Eu não consigo parar de me encantar com o desabrochar da natureza que se renova (reboot) nesta estação...
Para todo lado que olho é um clique: um clique para a primavera das flores (foto1, foto2, foto3, foto09, foto03), do verde novinho em folha de encher os olhos (foto1, foto2, foto02), da chuva de pétalas (foto), das belas manhas ensolaradas (foto)... assim saio batendo fotos por aí (foto28, foto26, foto24, foto21, foto20), em vários cantos da universidade (foto27, foto25, foto22, foto17, foto16, foto15, foto10, foto08), da lua cheia (foto), no bairro italiano (northend - foto23), etc.
Fui no "Lilac Sunday" no Arboreto (foto19, foto18). Gente, aquele lugar fica a coisa mais linda do mundo na primavera e as Lilac deixam o lugar ainda mais colorido e perfumado... fiz o passeio do Lilac day com direito a sair cheirando tudo é que flor e saber um pouquinho mais sobre a história dessas árvores lá do Arboreto, muito interessante.
Tem um álbum no facebook com muitos cliques da primavera (ainda em andamento) para quem quiser ver: álbum do facebook aqui.
Lar@coisas
"Quero uma lua cheia
O sol que se incendeia lá no mar
Quero o baque do batuque
Eu quero o tom que desencadeia
O som que põe meu povo pra dançar
Quero a chuva lavadeira da seca do sertão
Quero a luz atormentado à toa a tumba da paixão
Quero ares de criança - coração!"
Quando fico muito tempo sem escrever já se sabe porque, né?
Quando voltei do Brasil estava do meio para o final do período e comecei as longas jornadas na universidade para dar conta das coisas (estudos e trabalho) e ainda me manter ao menos "ok" com a pratica esportiva.
Mas sempre existe (ou inventamos um pouco) tempo para coisas divertidas por esses dias rolou uma festinha com direito a iluminação (foto), almoço de páscoa com as amigas de apê e com minha família em Boston (Helo, Roberta, Jon e Augusto), jantar com amigos ("passover" com comida Israelense e em outra oportunidade jantar internacional com cada qual trazendo algo), rolou BU Open House (foto), visita com palestra de colegas brasileiros (Bruno e Guto), dias ensolarados (foto), pedaladas na beira do rio (foto1, foto2, foto3, foto4, foto5), aniversário de amigos e aniversário do menino mais foto de Boston (Augusto), cafezinho brasileiro para dar ânimo (foto), brigadeiro (foto), caminhadas na beira do rio (foto1, foto2) para relaxar e aguentar o 3º turno de trabalho, palestra para inspirar (foto), orquestra para encher a alma de música (foto), chorinho (foto), filme com pipoca de pipoqueira fofa (foto) com amigos, vi alguns amigos competindo dança de salão, vi tecnologia curiosas (foto), fui na reunião do grupo de brasileiros e tive um dias das mães longe da minha mãe :-( mas em família e com direito a uma experiência gastronômica da Etiópia (comendo com a mão na comida servida num tipo de pão).
Mas eis que depois de tanto estresse com provas e trabalhos enfim concluo minhas disciplinas obrigatórias em BU (Universidade de Boston), ou seja, agora só faço disciplina se quiser. Passado a qualificação e as disciplinas entro numa nova fase no doutorado voltada apenas para pesquisa e de certa maneira já posso dizer que estou do meio para o fim...
Nova fase do doutorado ou até mesmo uma nova fase para mim! =)
Obs:
Esse é um Boletim em partes. Essa é a Parte II.
Clique para ler a Parte I e Parte III.
Sintia falta das sua postagens, agora à espera da III parte hahaha!!!! Bjãoooo
ResponderExcluirLaís