terça-feira, 14 de julho de 2015

Diario de Viagem - CA Trip: Dia 1 (Death Valley)

Sábado 27/06/15

A gente acha que não, mas acabamos esquecendo de muitas coisas. Dois anos atrás eu estava por ali, em Vegas, mas foi na noite anterior que eu realmente me lembrei como era estar no calor do deserto.  Naquela manhã, saindo de Vegas em direção ao Death Valley (Vale da Morte), eu me ia me lembrando que aquela região desértica e quente era cercada (ao longe) por belas montanhas. Mas, o melhor ainda estava por vir.
Na estrada saindo de Las Vegas
A paisagem do deserto (principalmente observada no conforto de um ar-condicionado) é encantadora.  A região plana e aberta deixa os olhos passeando longe e eles viam casinhas cor de areia que quase se camuflavam na paisagem, viam cactos, viam estradas que seguiam por perder vista e viam montanhas de pedras multicoloridas. Saindo de Vegas a primeira atração (vista apenas da estrada) foi os "Red Rock National Canyons" (Canions Nacionais das Pedras Vermelhas).

Red Rock National Canyons

Na Califórnia (por motivos históricos e geográficos) existe uma forte influência da cultura mexicana. Na estrada sintonizamos dezenas de rádios apenas em espanhol (as vezes apenas elas ainda tinham sintonia). Nas cidades, por menor que fossem, era possível encontrar um estabelecimento com comida (quase autentica) mexicana, ou a influência dela nos cardápios. Paramos para almoçar antes de entrar Vale adentro - era uma sanduicheria estilo Subway porém com comida mais fresca (queijos, embutidos e abacate eram fatiados na hora a escolha do cliente). Estando quase vazia acabamos conversando um pouco com os atendentes que perguntaram nosso roteiro. Ao explicar que estávamos indo cruzar o Death Valley para ir às montanhas uma menina retrucou "Mas para que? Lá só tem pedras, para ver um monte de pedras?". Talvez para alguém nascido por lá, aquele deserto, aquelas pedras sejam só um monte de pedras e outros destinos sejam bem mais interessantes (mas não para nos). Depois refletindo um pouco, tentei não criticar muito  (e até usei como exemplo para meus amigos) pois bem me lembro de encontrar em Natal várias pessoas que não se dão conta das belezas das praias da nossa terra só porque cresceram perto delas.

Death Valley (Vale da Morte)

Seguindo um pouco pelas estradas, que pareciam não ter fim, chegamos então na entrada do Parque Nacional do Vale da Morte. O calor nesse ponto já era de torrar o juízo (para lá de 40 °C) e para manter-me hidratada acho que nunca bebi tanta agua como naquele dia. O calor era grande, mas aquelas vistas cênicas era o que fazia aquele quentíssimo passeio valer a pena.


[Placa]: Atenção! EXTREMO calor perigoso
Entrando Vale adentro encontramos algumas placas que alertavam sobre o perigo do calor extremo. Não por menos, o Death Valley é um dos lugares mais quentes dos Estados Unidos e eles dizem que foi o lugar aonde a temperatura mais quente do mundo foi registrada.

Mirante do Dante (Dante's view)
Uma das primeiras paradas no Death Valley foi no Mirante do Dante. De lá podíamos ver boa parte do Vale: montanhas altas ao longe, montanhas coloridas mais perto, e a parte baixa do Vale (abaixo do nível do mar) em tons esbranquiçados. Um espetáculo de curvas e cores! 

Gold Canyons (Canyons Dourados)
Outra parada foi no Gold Canynons onde pudemos ver montanhas coloridas em tons amarronzados (com montanhas altas ao fundo) e claro montanhas em tons amarelados. Ambas em formações geológicas bem interessantes. 

Gold Canyons (Canyons Dourados)
Seguindo o roteiro paramos no centro de visitantes do Furnace Creek ("Enseada da fornalha") e nos assustamos com a temperatura que o termômetro de entrada marcava 127°F (53°C)!! O patrulheiro, que nos dava algumas informações sobre outros lugares a se visitar no parque, falou que o termômetro externo devido à exposição direta ao sol marcava um pouco mais que o costume, que o certo seria uns 118°F (48°C) e que aquele era o dia mais quente do ano até então. Ele nos advertiu ainda que nesta temperatura a exposição por mais de 40 minutos poderia levar a desidratação ou outros problemas de saúde, que não deveríamos fazer as trilhas (isso nos já sabíamos - verão não é época de se fazer trilhas no deserto). Ele falou que no dia anterior algumas pessoas tinham sido encaminhadas ao hospital devido a longa exposição ao calor extremo e que ano passado alguém tinha morrido ao se perder (possivelmente devido a desorientação por desidratação) ao tentar trilhas nas dunas de areia do Vale.  


Furnace Creek ("Enseada da Fornalha"): 127°F (53°C)
Depois do centro de visitantes a próxima parada por lá foi no Badwater Basin ("Bacia da  água ruim")  o ponto mais baixo no Vale e dos Estados Unidos. O local está a 85.5m abaixo do nível do mar e foi um dos locais mais quentes que eu já fui em todo minha vida (lá deveria realmente estar a uns 53°C)!
O local é rodeado por uma mistura de areia e sal ressecada - por acaso o nome do local se deve ao fato de lá ter uma fonte de água, porém a salinidade da água acumulada é tão alta que a torna "imbebível".  

Badwater Basin ("Bacia da Agua Ruim") - 85.5m abaixo no nivel do mar

Uma das coisas mais curiosas de se estar num ponto tão baixo (e rodeado de montanhas) é que havia uma placa na montanha ao lado que indicava aonde era o nível do mar. Olhe bem a foto abaixo e repare na plaquinha ("Sea Level"). Para mim foi muito estranho olhar para cima (sem estar mergulhando) para achar o nível do mar. 

[Placa na Montanha]: Nivel do Mar
A próxima parada foi o Campo de Golfe do Diabo. O lugar é basicamente uma panela de sal que por sua vez apresenta formações cristalinas interessantes (aonde só o diabo conseguiria jogar golfe sobre elas). Além das belas formações salinas-cristalinas acrescente a beleza do local o fato de se ter uma boa visão aberta ao horizonte até o encontrar das montanhas ao fundo. 


Devils Golf Course ("Campo de Golfe do Diabo")
Outra atração que vimos no parque foi a estrada do artista. Basicamente uma estrada de apenas uma mão no meio das montanhas/canyons coloridos conhecidos como a paleta do artista dado a sua intensidade e variedade de cores. 


Artist's Drive ("Estrada do Artista")

E claro, como um bom deserto o Mojave tinha também suas dunas. Sendo nativa de onde sou (Natal-RN) não esperava ficar impressionada com as dunas em si. Mas o que vi - uma composição de dunas e montanhas ao fundo - era encantador e, tenho que deve ser muito bonito fazer as trilhas também (que são altamente não recomendadas para o verão - tinha placas no local alertando o perigo de calor/desorientação para caminhar sobre as dunas no verão depois das 10am).  


Mesquite Flat Sand Dunes ("Dunas de plena areia")

Acabado os pontos propriamente de visita seguimos atravessando o vale e o deserto com suas estradas intermináveis com uma luz de fim de tarde. E isso por si só foi um espetáculo! 



Fim de tarde no Death Valley (Vale da Morte)

Fomos chegando próximo a região das montanhas (Sierra Nevada) ao por do sol e aquelas montanhas gigantes que seriam nossa aventura dos próximos dias começavam a assustar ao tomar conta do horizonte.  

Saindo do Death Valley e avistando a Sierra Nevada
Chegamos na pequena cidade de Lone Pine (que seria nosso lar pelos próximos dias) cansados, saímos para comer num restaurante mexicano e avistando as montanhas que cercavam a cidade pelos dois lados tivemos a certeza que outras paisagens cênicas nos esperavam nos dias seguintes.


Um comentário:

  1. Lindas paisagens, mas o calor deve ser de lascar!!!!
    Laís

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