Domingo - 28/06/15
O plano do dia (bem como do dia seguinte) era fazer trilha na região das montanhas (Sierra Nevada) e, assim, além de curtir a natureza tentaríamos aclimatar a altitude e aumentar as chances de sucesso para a grande aventura (escalar Mt Whitney - a montanha mais alta dos EUA) que nos aguardava.
O plano do dia (bem como do dia seguinte) era fazer trilha na região das montanhas (Sierra Nevada) e, assim, além de curtir a natureza tentaríamos aclimatar a altitude e aumentar as chances de sucesso para a grande aventura (escalar Mt Whitney - a montanha mais alta dos EUA) que nos aguardava.
| Lone Pine |
Acordamos cedinho e ao sair do hostel nos demos conta de quão bonita era a cidade de Lone Pine. A cidade está cercada de montanhas dos dois lados: de um lado temos a Sierra Nevada e do outro montanhas da parte mais desértica. A cidade tem ainda um estilo antigo tipo faroeste com vários estabelecimentos em madeira rústica e/ou estilo antigo. Ou seja, só caminhar na cidade em si era um barato e para aonde você olhasse tinha belas montanhas ao horizonte.
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| Onion Road ("Estrada da Cebola") |
E assim, depois de um café da manhã (e de preparar sanduíches para o almoço) partimos para a nossa primeira trilha. A estrada que conecta a cidade com o início da trilha, chamada estrada da Cebola (porque estávamos no Vale da Cebola), saía recortando entornos de montanhas em zig-zag e subindo-subindo. Para se ter uma melhor ideia a cidade encontra-se a 1136 metros acima do nível do mar e o início da nossa trilha estava a cerca de 2926 metros acima do nível do mar.
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| Trilhando: Kearsarge |
Mas fazer trilha em grandes altitudes não é fácil.
No ponto inicial da trilha (2926m acima do nível do mar) já tínhamos cerca de 30% menos oxigênio do que o disponível ao nível do mar e, em média, a cada 300m mais alto que fossemos teríamos 4% menos de oxigênio disponível...
Números a parte sentíamos mais dificuldades em respirar, e alguns do grupo sentiam uma leve dor de cabeça... nos demos alguns minutos de descanso, tomamos bastante agua (em grandes altitudes precisa-se beber mais água que o normal) e começamos a trilhar montanha acima nos zig-zag da trilha.
| Trilhando: Kearsarge |
Me senti muito mais cansada que o normal e fiz um zilhão de pausas (para respirar fundo e/ou beber água). Parecia que eu estava há meses sem fazer nenhuma atividade física e tinha acabado de fazer minha primeira corridinha... faltava-me fôlego e energia, cada passo era uma luta. Nem parecia que eu era a menina cheia de energia para me exercitar como normalmente sou...
| Heart Lake (Lago do Coração) |
| Trilhando Kearsagarge: Mulas |
Mas, sobretudo, tudo ali era muito bonito: a trilha, a floresta, as montanhas. Depois de algumas horas de trilha (e umas 3-zilhões de paradas) encontramos alguns lagos. A água azul-piscina com tons esverdeados na ponta dava um toque mágico àquela composição de vegetação, montanha e laguinhos.
| Big Pothole Lake (Lago do Grande Caldeirão) |
A medida que íamos subindo a temperatura ia esfriando (como era de se esperar) e em algum ponto, as nuvens que se fechavam sobre nossas cabeças junto com o friozinho que nos faziam vestir algumas camadas a mais, pouco lembrávamos que estávamos pertinho do deserto.
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| Gilbert Lake (Lago Gilberto) |
Porém a medida que eu subia ia me sentindo mais cansada, e em algum ponto comecei a sentir minha cabeça pesando. Já no final da trilha - eu deveria estar a mais de 3500 metros acima do nível mar - eu comecei a me sentir tonta. Parei por alguns minutos e continuei a trilha quando me senti melhor. Mas sabe aquela sensação do mundo girar depois de ter bebidos todos os drinks do mundo? Pois bem, em algum momento já avistando o final da trilha eu me senti assim. Me sentei, respirei fundo e o mundo ainda girava. Paralelamente a isso as nuvens começaram a brincar de se acumular e uma tempestade poderia desabar sobre nossas cabeças a qualquer minuto. Acredite, voce não quer estar no topo ou quase no topo de uma montanha quando uma tempestade ameaça cair. O mundo parecia voltar ao seu lugar quando meus colegas vieram afobados do topo (juro que estava pertinho menos de 400m de onde eu parei) pedindo para descer. Tão logo tive condições comecei a trilhar montanha abaixo com eles.
Quando estávamos na metade da trilha (já descendo) eu já estava me sentindo melhor e, além disso, as nuvens pesadas haviam se dissipado afastando as chances de tempestade e deixando todos mais tranquilos. Paramos para comer na beira do lago e nos deixamos aproveitar melhor a natureza que nos cercava.
Terminada a trilha já era meio para final de tarde e fomos parando nos mirantes ao longo da estrada da cebola apreciando as vistas do vale, montanhas ao fundo e estradas recortadas.

Voltando a cidadezinha eu voltei a me sentir mal: dor de cabeça e tontura. Sei que além da menor quantidade de oxigênio também há uma maior exposição ao sol em grandes altitudes e era difícil saber se meu mal-estar (que me lembrava um pouco insolação) era efeito tardio da altitude (dizem que as vezes a pessoa pode demorar a sentir) ou excesso de sol na cabeça (sim, mãe, eu passei bastante protetor solar).
Mal consegui comer (e aproveitar o acolhedor restaurante mexicano da cidade) dado meu mal-estar naquela noite. Tomei um remédio e fui dormir (era tudo que eu queria) .
Mas aquele era só o primeiro dia de trilha, eu tinha chances de me adaptar à altitude e não passar mal do dia da escalada D.




Ainda bem que as paisagens era lindas, só assim pra compensar um pouco esse perrengue todo, espero que na próxima postagem tenha notícias de que o mal estar passou e vc aproveitou bem mais.
ResponderExcluirLaís :)