Vira-volta eu me vejo pensando nas pessoas e nos seus motivos para ir, vir, ficar, não voltar, etc.
Aqui com o decreto de imigração eu me vi tendo também algumas outras conversas com uns amigos. Uma amiga dizia que pior de que fechar a porta para os futuros ingressantes era fechar a porta para aqueles nos quais um pedaço de futuro já tinha sido prometido. Falávamos de estudantes que possivelmente teriam sido aceitos para estudar aqui mas que com o novo decreto não poderiam concretizar seus planos. Falávamos de estudantes que já estudam aqui e que estavam fora do país e que poderiam ter seu plano em curso interrompido. Mas fiquei pensando nisso, nessa promessa de futuro, nesse sonho de uma vida melhor que muitos tem ao se mudar para cá.
Olhando ao meu lado eu diria que os europeus vêm aqui como um misto de etapa de vida e uma possibilidade (acho que muitos se pudessem voltariam para os seus países de origem). Nos latinos (incluindo os brasileiros) eu vejo um mistura de opiniões - muitos ficaram sem sombra de dúvida se pudessem mas alguns (como eu) consideram e ponderam a real possibilidade de voltar (mesmo que para uma realidade mais dura). Já muitos dos meus demais colegas - na sua maioria do oriente médio e Ásia - gostariam de ficar aqui se possível.
Sempre que penso nisso me lembro da pirâmide de necessidades (cuja uma leve procura na internet me refrescou os conceitos) de Maslow (ver link da wikipedia aqui) onde em geral só procuramos as necessidades da camada acima quando as bases estão supridas: necessidades fisiológicas, necessidade de segurança, necessidades sociais ou de amor, necessidades de estima e necessidades de auto-realização. Fica claro que quanto mais sua condição inicial (local de origem) te oferece menor a quantidade de lacunas que seu motivo de mudança precisa preencher (afinal "ficar" na mesma não requer "esforço"). Ainda lembrando da pirâmide entendo porque é fácil ser "rico" em qualquer lugar mas ser pobre ou na média em alguns lugares é bem mais sofrido por haver a privação de algumas dessas necessidades.
Enfim, poucos dos meus amigos vieram de condições paupérrimas mas muitos vieram de condições simples (média - assim como eu) e sim, aqui eles tem um "promessa" de sonho/futuro melhor de onde vieram.
Talvez eu não venha de uma situação de guerra, ou uma cultura excessivamente opressora mas sim, aqui existe uma possibilidade de vida mais tranquila. Até porque aqui eu vivo numa bolha convivendo com pessoas com maior grau de educação e com maior vivencia/convivência internacional...
As vezes eu fico pensando se/quando eu voltar não vou poder andar de bicicleta para qualquer lado ou não vou poder voltar para casa sozinha andando e falando no telefone tarde da noite. Mas ao mesmo tempo eu não sei se quero viver tão longe da minha familia. Já perdi tantos momentos e o relógio continua sempre passando. Mas me assusta a violência, a crise econômica (será que vai ter trabalho para mim?) e o crescimento do pensamento conservador (se bem que parece que isso esta crescendo por todos os lugares)... eu tenho medo disso e sei que se/quando eu voltar vai ser uma adaptação difícil.
Me assusta também que assim como eu muitos saíram/se mudaram (por seus diferentes motivos) da terrinha. As vezes, eu fico pensando eu vou voltar para aonde ou para quem?
Mas, minha irmã uma vez me disse "lugar bom de se morar é onde se tem trabalho". Nessa brincadeira tenho amigos e familia cada vez mais espalhada (e nem sempre eu fiz um bom papel em manter contato).
Outro dia falando com a minha mãe eu comentava o fato de agora ela ter um filho em cada canto do mundo - que isso era a que acontecia quando se criava os filhos pro mundo. Ela comentou que não tinha sido bem assim que na verdade o mundo hoje era outro.
O mundo é outro mesmo. A tecnologia criou novas conexões e abriu o mundo (de alguns) para as possibilidades e a economia deu um empurrão. Meus pais/tios "adulteceram" perto uns dos outros e cresci rodeada de uma familia grande. A minha geração tá se espalhando e possivelmente a geração depois da minha vai crescer com uma experiência familiar bem diferente.
Eu sou incapaz de entender a repercussão dessas mudanças. Mas creio ver um período de intensas migrações ocorrendo bem embaixo do meu nariz. Mas, mais do que isso, espero que essas imigrações que eu vejo daqui (de amigos vindo de vários lugares do mundo e se estabelecendo por aqui), das migrações internas que vejo se intensificando no Brasil, e de outras tantas mais nesse mundo tragam mudanças positivas para nossa sociedade. Afinal (de acordo com as matérias jornalísticas que tenho lido - o mundo tá complicado pacas), estamos precisando de muita esperança.
Aqui com o decreto de imigração eu me vi tendo também algumas outras conversas com uns amigos. Uma amiga dizia que pior de que fechar a porta para os futuros ingressantes era fechar a porta para aqueles nos quais um pedaço de futuro já tinha sido prometido. Falávamos de estudantes que possivelmente teriam sido aceitos para estudar aqui mas que com o novo decreto não poderiam concretizar seus planos. Falávamos de estudantes que já estudam aqui e que estavam fora do país e que poderiam ter seu plano em curso interrompido. Mas fiquei pensando nisso, nessa promessa de futuro, nesse sonho de uma vida melhor que muitos tem ao se mudar para cá.
Olhando ao meu lado eu diria que os europeus vêm aqui como um misto de etapa de vida e uma possibilidade (acho que muitos se pudessem voltariam para os seus países de origem). Nos latinos (incluindo os brasileiros) eu vejo um mistura de opiniões - muitos ficaram sem sombra de dúvida se pudessem mas alguns (como eu) consideram e ponderam a real possibilidade de voltar (mesmo que para uma realidade mais dura). Já muitos dos meus demais colegas - na sua maioria do oriente médio e Ásia - gostariam de ficar aqui se possível.
Sempre que penso nisso me lembro da pirâmide de necessidades (cuja uma leve procura na internet me refrescou os conceitos) de Maslow (ver link da wikipedia aqui) onde em geral só procuramos as necessidades da camada acima quando as bases estão supridas: necessidades fisiológicas, necessidade de segurança, necessidades sociais ou de amor, necessidades de estima e necessidades de auto-realização. Fica claro que quanto mais sua condição inicial (local de origem) te oferece menor a quantidade de lacunas que seu motivo de mudança precisa preencher (afinal "ficar" na mesma não requer "esforço"). Ainda lembrando da pirâmide entendo porque é fácil ser "rico" em qualquer lugar mas ser pobre ou na média em alguns lugares é bem mais sofrido por haver a privação de algumas dessas necessidades.
Enfim, poucos dos meus amigos vieram de condições paupérrimas mas muitos vieram de condições simples (média - assim como eu) e sim, aqui eles tem um "promessa" de sonho/futuro melhor de onde vieram.
Talvez eu não venha de uma situação de guerra, ou uma cultura excessivamente opressora mas sim, aqui existe uma possibilidade de vida mais tranquila. Até porque aqui eu vivo numa bolha convivendo com pessoas com maior grau de educação e com maior vivencia/convivência internacional...
As vezes eu fico pensando se/quando eu voltar não vou poder andar de bicicleta para qualquer lado ou não vou poder voltar para casa sozinha andando e falando no telefone tarde da noite. Mas ao mesmo tempo eu não sei se quero viver tão longe da minha familia. Já perdi tantos momentos e o relógio continua sempre passando. Mas me assusta a violência, a crise econômica (será que vai ter trabalho para mim?) e o crescimento do pensamento conservador (se bem que parece que isso esta crescendo por todos os lugares)... eu tenho medo disso e sei que se/quando eu voltar vai ser uma adaptação difícil.
Me assusta também que assim como eu muitos saíram/se mudaram (por seus diferentes motivos) da terrinha. As vezes, eu fico pensando eu vou voltar para aonde ou para quem?
Mas, minha irmã uma vez me disse "lugar bom de se morar é onde se tem trabalho". Nessa brincadeira tenho amigos e familia cada vez mais espalhada (e nem sempre eu fiz um bom papel em manter contato).
Outro dia falando com a minha mãe eu comentava o fato de agora ela ter um filho em cada canto do mundo - que isso era a que acontecia quando se criava os filhos pro mundo. Ela comentou que não tinha sido bem assim que na verdade o mundo hoje era outro.
O mundo é outro mesmo. A tecnologia criou novas conexões e abriu o mundo (de alguns) para as possibilidades e a economia deu um empurrão. Meus pais/tios "adulteceram" perto uns dos outros e cresci rodeada de uma familia grande. A minha geração tá se espalhando e possivelmente a geração depois da minha vai crescer com uma experiência familiar bem diferente.
Eu sou incapaz de entender a repercussão dessas mudanças. Mas creio ver um período de intensas migrações ocorrendo bem embaixo do meu nariz. Mas, mais do que isso, espero que essas imigrações que eu vejo daqui (de amigos vindo de vários lugares do mundo e se estabelecendo por aqui), das migrações internas que vejo se intensificando no Brasil, e de outras tantas mais nesse mundo tragam mudanças positivas para nossa sociedade. Afinal (de acordo com as matérias jornalísticas que tenho lido - o mundo tá complicado pacas), estamos precisando de muita esperança.
Nenhum comentário:
Postar um comentário