2016 foi um ano de coisas incompletas, inclusive textos.
Vou fazer um breve-longo copiar+colar aqui deles...
[Nota de 2017: acho que ia falar sobre as escolhas que estavam sendo feitas na minha cabeça sobre voltar para casa]
Das mudanças
Um dia eu acordei e me toquei que estava muito velha para ser a "queridinha"...
Eu sempre tive esse jeito meio reservado para as novas pessoas - eu tenho meus dias mais extrovertidos - mas em situações novas, em geral, eu sou e tenho ficado mais na minha a cada dia.
Mas, creio que pelo meu tamanho, cachinhos e carisma (me imagine fazendo carinha do gatinho de botas) fui quase sempre bem recebida por onde andei.
Mas acho que fiquei velha para isso. Não sou (...)
[Nota de 2017: não lembro exatamente aonde o texto ia parar mas era para falar sobre como a percepção das pessoas mudou sobre mim e como eu mudei da juventude ate então]
Caraminholando (parte 1): de lá ate quase aqui...
Tenho pensando em por no "papel" algumas ideias que tenho caraminholado há algum tempo mas tem sempre tanta coisa acontecendo comigo e com o mundo que fui adiando e adiando e tudo foi enrolando, enrolando mas, vamos ver se agora sai.
***
Eu cresci ouvindo política na mesa do jantar, ia para carreatas flamejando bandeiras e me achava uma menina politizada. Para começo, o meu texto no livrinho de formatura da alfabetização era sobre "a guerra do golfo". Sempre tive tendências esquerdistas, não entendia como pessoas podiam deliberar por guerra, como o interesse de alguns prejudicava uma grande maioria, como alguns podiam ter tanto e outros com tão pouco e isso ser simplesmente normal...
Estudei em escola particular até o ensino médio e meus colegas eram mais ou menos assim como eu: classe media-media. Lembro que foi na 5a serie do ensino fundamental - quando deixei de ser tão tímida (na escola ao menos) - que comecei a ser "líder de turma". Na 6a organizava um jornalzinho da turma no qual recortava charges/quadrinho divertidos e fazia mural de bilhetinhos (fofocas). Lembro que em algum ponto ate participei do grêmio, que basicamente só ajudava a escola a organizar as festas. Ou seja, nada realmente político.
Mas foi no ensino médio que as coisas começaram a mudar. O CEFET misturava gente de quase todas as classes e tinha o grêmio mais influente do estado (ao menos em relação a rede pública). Algumas juventudes partidárias se reuniam nas salas da instituição para realmente discutir política! Eu comecei a acompanhar um amigo que participava de uma das juventudes e adorei conhecer mais ideas políticas. Nesse ponto eu era líder de sala e minha teimosia em questionar coisas e ideais fizeram com que eu tivesse credibilidade (e algumas pessoas se baseavam no meu discernimento). Fui convidada a participar da do grêmio na "secretaria de cultura". Lembro que me chateava muito com o desinteresse politicos dos meus colegas, eu os chamava para participar de discussões e manifestações. E por muito tempo achei minha geração muito despolitizado e acomodada.
Paralelamente, eu comecei a descobrir que eu era a "chata" do grêmio: minha teimosia e ideais em fazer as coisas o mais certo possivel, independente de posição política, pelos estudantes, economizando o máximo (para ter dinheiro para mais atividades) mesmo que mais trabalho para a equipe fizeram que eu fosse rotulada assim pelos meus colegas. Descobri quando comecei a ser consultada antes de reuniões numa de como "se fizermos Larissa concordar possivelmente os demais concordarão também". A verdade é, eu sei ser muito chata mas eu não gosto muito disso não, eu me estressa, me desgasto mas eu fui indo... a possibilidade de votar partir dos 16 tinha acabado de ser aprovada e as juventudes corriam pra envolver mais e mais jovens. Nessa agenda eu comecei a ver gente querendo filiar jovens adoidado (com uma pressão de partidária envolvida) - ao questionar que a pessoa so deveria se filiar depois de conhecer as ideias da juventude de outro modo é quase manipular e ouvi como resposta "melhor filiado a gente do que a outros". Nesse meio tempo eu fui enviada para representar o grêmio num evento de estudantes que a escola enviara alguns alunos e foi assim que descobri o movimento social através da ONG. Cansada de ser a chata, do estresse e do joguinho de poder/seguidores eu fui me afastando do grêmio e participando mais e mais da ONG.
Nos anos seguintes eu participei de um grupo vocal de uma ONG (Canto Jovem) que focava na luta dos direitos sexuais e reprodutivos de adolescentes e jovens. Depois virei também coordenadora juvenil por lá.
No segundo ano de faculdade eu fui me afastando do grupo para poder focar mais no curso e em ter experiências relacionas a ciência da computação.
Me afastei muito da participação política mas continuei muitas vezes chata - sabe so em ser feminista e não homofóbica no Brasil faz voce ser vista por chata por muitos...
E estamos quase aqui. =)
[Nota de 2017: eu basicamente tinha terminado a parte 1 acho que faltava apenas revisar. Na parte 2 eu iria falar dos últimos anos e um pouco do silenciamento politico comparado ao passado. Mas fiquei com tanto desgoste/desgaste que desanimei... quem sabe um dia eu me inspiro e escrevo a segunda parte...]
Re-pensando
Um dia voce começa a lembra de coisas do seu passado - tipo memórias de infância/adolescência e voce começa a se identificar com mais com pessoas que voce lidava como adulta nessa historia (tios, pais, amigos) de com as pessoas de sua própria idade. Voce começa a refletir suas próprias memórias sobre outras perspectivas.
Dos passeios, das montanhas e dos bichinhos
[Nota de 2017: eu ia escrever sobre a trilha/acampamento que tinha feito, do que tinha visto, de como eu gosto desses passeios]
Cantos de mim
Eu meio que sempre fui orgulhosa da minha familia.
Mas tem dias que isso me salta mais.
Estava numa roda de choro e alguém comentou: mais essa musica ninguém conhece assim tão bem no Brasil. Parei por um segundo e quase concordei mas indaguei ser coisa de época - as novas gerações não conheciam mas a minha avó cantava/cantarolava a letra dessa musica. E meu amigo musico me indagou - "e essa musica tem letra?"
São nesses momentos que eu vejo quão afortunada eu fui de poder aprender/conviver com as gerações passadas e o quanto os meus avos puderam aprender/crescer numa época que nem todos podiam. Eu as vezes esqueço mas eu levo em mim (como parte de mim) muitos dos encontros com as pessoa da minha vida, inclusive com os meus avos.
[Nota de 2017: O ultimo parágrafo esta meio incompleto acho que queria ter falado mais de outras coisas legais que aprendi com eles e de quanto eles me marcaram/marcam].
Vou fazer um breve-longo copiar+colar aqui deles...
Casa, cabeça e coração...
[março de 2016]
É como escrevi outro dia para as minhas irmãs "Cada vez mais vejo como esse amor me faz forte e me faz falta... " então quando estou em casa fico mais completa.[Nota de 2017: acho que ia falar sobre as escolhas que estavam sendo feitas na minha cabeça sobre voltar para casa]
Das mudanças
[abril de 2016]
Um dia eu acordei e me toquei que estava muito velha para ser a "queridinha"...Eu sempre tive esse jeito meio reservado para as novas pessoas - eu tenho meus dias mais extrovertidos - mas em situações novas, em geral, eu sou e tenho ficado mais na minha a cada dia.
Mas, creio que pelo meu tamanho, cachinhos e carisma (me imagine fazendo carinha do gatinho de botas) fui quase sempre bem recebida por onde andei.
Mas acho que fiquei velha para isso. Não sou (...)
[Nota de 2017: não lembro exatamente aonde o texto ia parar mas era para falar sobre como a percepção das pessoas mudou sobre mim e como eu mudei da juventude ate então]
Caraminholando (parte 1): de lá ate quase aqui...
[maio de 2016]
Tenho pensando em por no "papel" algumas ideias que tenho caraminholado há algum tempo mas tem sempre tanta coisa acontecendo comigo e com o mundo que fui adiando e adiando e tudo foi enrolando, enrolando mas, vamos ver se agora sai.***
Eu cresci ouvindo política na mesa do jantar, ia para carreatas flamejando bandeiras e me achava uma menina politizada. Para começo, o meu texto no livrinho de formatura da alfabetização era sobre "a guerra do golfo". Sempre tive tendências esquerdistas, não entendia como pessoas podiam deliberar por guerra, como o interesse de alguns prejudicava uma grande maioria, como alguns podiam ter tanto e outros com tão pouco e isso ser simplesmente normal...
Estudei em escola particular até o ensino médio e meus colegas eram mais ou menos assim como eu: classe media-media. Lembro que foi na 5a serie do ensino fundamental - quando deixei de ser tão tímida (na escola ao menos) - que comecei a ser "líder de turma". Na 6a organizava um jornalzinho da turma no qual recortava charges/quadrinho divertidos e fazia mural de bilhetinhos (fofocas). Lembro que em algum ponto ate participei do grêmio, que basicamente só ajudava a escola a organizar as festas. Ou seja, nada realmente político.
Mas foi no ensino médio que as coisas começaram a mudar. O CEFET misturava gente de quase todas as classes e tinha o grêmio mais influente do estado (ao menos em relação a rede pública). Algumas juventudes partidárias se reuniam nas salas da instituição para realmente discutir política! Eu comecei a acompanhar um amigo que participava de uma das juventudes e adorei conhecer mais ideas políticas. Nesse ponto eu era líder de sala e minha teimosia em questionar coisas e ideais fizeram com que eu tivesse credibilidade (e algumas pessoas se baseavam no meu discernimento). Fui convidada a participar da do grêmio na "secretaria de cultura". Lembro que me chateava muito com o desinteresse politicos dos meus colegas, eu os chamava para participar de discussões e manifestações. E por muito tempo achei minha geração muito despolitizado e acomodada.
Paralelamente, eu comecei a descobrir que eu era a "chata" do grêmio: minha teimosia e ideais em fazer as coisas o mais certo possivel, independente de posição política, pelos estudantes, economizando o máximo (para ter dinheiro para mais atividades) mesmo que mais trabalho para a equipe fizeram que eu fosse rotulada assim pelos meus colegas. Descobri quando comecei a ser consultada antes de reuniões numa de como "se fizermos Larissa concordar possivelmente os demais concordarão também". A verdade é, eu sei ser muito chata mas eu não gosto muito disso não, eu me estressa, me desgasto mas eu fui indo... a possibilidade de votar partir dos 16 tinha acabado de ser aprovada e as juventudes corriam pra envolver mais e mais jovens. Nessa agenda eu comecei a ver gente querendo filiar jovens adoidado (com uma pressão de partidária envolvida) - ao questionar que a pessoa so deveria se filiar depois de conhecer as ideias da juventude de outro modo é quase manipular e ouvi como resposta "melhor filiado a gente do que a outros". Nesse meio tempo eu fui enviada para representar o grêmio num evento de estudantes que a escola enviara alguns alunos e foi assim que descobri o movimento social através da ONG. Cansada de ser a chata, do estresse e do joguinho de poder/seguidores eu fui me afastando do grêmio e participando mais e mais da ONG.
Nos anos seguintes eu participei de um grupo vocal de uma ONG (Canto Jovem) que focava na luta dos direitos sexuais e reprodutivos de adolescentes e jovens. Depois virei também coordenadora juvenil por lá.
No segundo ano de faculdade eu fui me afastando do grupo para poder focar mais no curso e em ter experiências relacionas a ciência da computação.
Me afastei muito da participação política mas continuei muitas vezes chata - sabe so em ser feminista e não homofóbica no Brasil faz voce ser vista por chata por muitos...
E estamos quase aqui. =)
[Nota de 2017: eu basicamente tinha terminado a parte 1 acho que faltava apenas revisar. Na parte 2 eu iria falar dos últimos anos e um pouco do silenciamento politico comparado ao passado. Mas fiquei com tanto desgoste/desgaste que desanimei... quem sabe um dia eu me inspiro e escrevo a segunda parte...]
Re-pensando
[julho de 2016]
Um dia voce começa a lembra de coisas do seu passado - tipo memórias de infância/adolescência e voce começa a se identificar com mais com pessoas que voce lidava como adulta nessa historia (tios, pais, amigos) de com as pessoas de sua própria idade. Voce começa a refletir suas próprias memórias sobre outras perspectivas.
Tenho um tia fanatica por musica, entusiasmada pelas coisa divertidas e curiosas da vida, com um humor um pouco escatológico, com uma maneira de ver o mundo sempre um pouco menos sério. Olhando bem, eu poderia ter sido ela se eu tivesse sido tia tão cedo. Ou melhor, acho que ninguém além dela mesmo poderia ter sido ela e teria me influenciado tanto como ela fez. Lembro do apartamento cheio de fofuras dividido com minha outra tia, lembro da enorme coleção de LPs e da primeira vez que ela me deixou gravar minha própria seleção K-7. Aprendi muito sobre música com ela, seja de o que escutar (e continuo apreendendo), de como tocar violão, ou de como gostar de enumeras coisas que ninguém vai entender... Pato Fu hoje é a minha cara, mas se escutar bem tem ela também em cada acorde e nota da Fernanda Takai. (...)
[Nota de 2017: Eu lembro ter tido uma conversa com alguém e me vi pensando em tia Lena, dai o texto foi saindo mas tinha mais ideias para por no papel tais como eu quiz adotar ela como "madrinha" (ja que não fui nem serei oficialmente batizada) e outras coisas em mim que acho que parecem com ela. Um dia espero me inspirar novamente para terminar esse texto - vai ser um texto legal.]
[Nota de 2017: Eu lembro ter tido uma conversa com alguém e me vi pensando em tia Lena, dai o texto foi saindo mas tinha mais ideias para por no papel tais como eu quiz adotar ela como "madrinha" (ja que não fui nem serei oficialmente batizada) e outras coisas em mim que acho que parecem com ela. Um dia espero me inspirar novamente para terminar esse texto - vai ser um texto legal.]
Dos passeios, das montanhas e dos bichinhos
[Julho de 2016]
[Nota de 2017: eu ia escrever sobre a trilha/acampamento que tinha feito, do que tinha visto, de como eu gosto desses passeios]
Cantos de mim
[Novembro de 2016]
Eu meio que sempre fui orgulhosa da minha familia.Mas tem dias que isso me salta mais.
Estava numa roda de choro e alguém comentou: mais essa musica ninguém conhece assim tão bem no Brasil. Parei por um segundo e quase concordei mas indaguei ser coisa de época - as novas gerações não conheciam mas a minha avó cantava/cantarolava a letra dessa musica. E meu amigo musico me indagou - "e essa musica tem letra?"
São nesses momentos que eu vejo quão afortunada eu fui de poder aprender/conviver com as gerações passadas e o quanto os meus avos puderam aprender/crescer numa época que nem todos podiam. Eu as vezes esqueço mas eu levo em mim (como parte de mim) muitos dos encontros com as pessoa da minha vida, inclusive com os meus avos.
[Nota de 2017: O ultimo parágrafo esta meio incompleto acho que queria ter falado mais de outras coisas legais que aprendi com eles e de quanto eles me marcaram/marcam].
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