quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

2016...

Eu já "reclamei" um pouco de 2016 no facebook mas tinha muito mais a dizer e como quero que 2017 seja diferente vou tentar terminar o texto.

2016 o ano que eu me perdi em mim

"Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir pra não chorar
Se alguém por mim perguntar
Diga que eu só vou voltar
Depois que me encontrar"

Não sei exatamente quando mas este ano (2016) eu me perdi em mim.
2016 foi um ano difícil politicamente, economicamente mas para mim foi, sobretudo no final do ano, um ano difícil pessoalmente. Me vi muitas vezes querendo falar/escrever sobre coisas mas segui adiando, adianto sem tempo ou energia de terminar/expressar ideias/pensamentos/afins. Falhei terrivelmente em planejamento e execução em 2016. (Vou compilar a próxima postagem com algumas ideias de texto que comecei e nunca terminei - nem devo terminar por ter passado o tempo da inspiração deles).

Fico caducando comigo mesma o porque da minha confusão/distração. Talvez tenha sido minha crise dos 30 (levemente atrasada) mas acho que é uma coisa do momento. Eu deveria ter terminado meu doutorado e não terminei e sinceramente ainda tenho muito trabalho pela frente para conseguir terminar. Mesmo não tendo terminado muitos dos meus amigos terminaram e isso me levou a duas coisas a pensar nas escolhas que teria pelo meu futuro e sentir a pressão do "voce deveria estar terminando também".

Nunca fui boa em escolhas e sempre fui deixando coisas abertas mas esse ano (2016) eu achei minha melhor escolha seria voltar para casa. A gente sempre sabe que não pode ter tudo mas a gente se engana as vezes (ou adia pensar nas escolhas futuras). Tenho que qualquer lugar que minha decisão me levar hoje uma parte de mim vai estar levemente incompleta a questão é o que eu vou conseguir abrir mão. Sou grata as oportunidades que tive aqui, a segurança em circular, as coisas novas que aprendi, de não precisar ser a feminista-chata, de conhecer o mundo através dos meus amigos, de ver lugares incríveis, etc. Mas acho estou chegando no meu limite longe da minha família (que cada vez se espalha mais) de ser filha, irmã, tia, sobrinha, neta, prima a distancia ou apenas de férias. Além disse o tempo esta passando para todos...

Talvez meu desequilibrio comigo mesmo seja pela distancia da minha base ou talvez lidar que pela primeira vez em anos estou fazendo escolhas de vida mas concretizar essas escolhas não seja nada fácil tanto pelo tanto de trabalho que ainda tenho que fazer no doutorado mas principalmente pelas possibilidades concretas de retorno.
Juntando falta de produtividade no trabalho e pensamentos na vida so tenho aumentado a "bola de neve" do problema...

"Pressure.
Pushing down on me.
Pressing down on you.
No man ask for.

Under pressure.
That burns a building down.
Splits a family in two.
Puts people on streets.

That's okay.

It's the terror of knowing
What the world is about.
Watching some good friends
Screaming "Let me out!".
Pray tomorrow gets me higher.
Pressure on people, people on streets."
[Under Pressure - Queen & David Bowie]


Em algum momento eu vi que adiei coisas (principalmente no trabalho) por mais tempo que devia, me senti improdutiva e desmotivada. Eu falei também que meus amigos estavam encerrando círculos, se formando, saindo da cidade? Pois bem, comecei a ter menos amigos ao meu redor...

Resumindo, no final do ano eu me vi sozinha e desmotivada.
Meu sono foi afetado mas esse sempre é (infelizmente) constantemente afetado pelo estresse mas não apenas ele...
Tive dias brancos (e não foi pela neve), dias onde não tive apetite e o relógio me lembrou que tinha que comer, dias que comi todos os chocolate que vi pela frente, dias que engasguei o choro, dias que chorei no escuro, dias que quiz gritar e não tinha voz, dias que quiz cantar e não tinha voz, dias que eu so queria que o dia acabasse, dias que eu queria chamar mas não queria preocupar os outros, dias que eu queria apenas um abraço, dias que eu não me senti tão eu...
Em algum momento da minha vida eu achei que poderia fazer tudo que eu quisesse -  hoje, já não penso assim nem acho que preciso pensar assim. Sei que não posso me boicotar (eu tento o máximo não o fazer - juro) mas não preciso ser também uma super heroína (deixo isso para o carnaval/halloween). Acho que uma coisa que eu aprendi em todos esse anos morando "fora" foi cuidar de mim e nesse ponto fiquem tranquilos eu, em geral, cuido bem de mim. Talvez me falte um pouco de energia e entusiasmo mas - "c'est la vie"! A vida tem seus altos e baixos e por hora me alegro em achar que venho melhorando.


Então, resoluções para 2017?

1) Foco, planejamento e execução.
2) Terminar doutorado.
3) Cuidar melhor de mim mesma.

O resto vai se desenrolando com essas resoluções aí... ;)

"Quero assistir ao sol nascer
Ver as águas dos rios correr
Ouvir os pássaros cantar
Eu quero nascer
Quero viver

Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir pra não chorar"

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